A cidade morreu e não fui eu que a matei,
Caminho no cadáver para descobrir a razão do falecer deste corpo onde havia chama, onde a luz era magia, um noctívago prazer na rua, envolto agora na raiz da solidão.
Percorro o olhar gélido das janelas perdidas no tempo, imagens de história, glória corroídas pelo marginal silêncio do esquecimento.
Sinto a cada passo que dou, as memórias na calçada, as passagens de amor, sussurros do vento que transportam cada palavra dita, no sabor da travessia.
Saboreio como se fosse a última vez, como se fosse o ultimo toque da tua presença, o teu cheiro, os teus traços, a tua cor, que registam na minha visão a fotografia da despedida.